sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Controle de algas em lagos


A água do meu lago de jardim ficou totalmente verde !!! O que devo fazer ???
Este é um problema que praticamente 99% dos proprietários de Lagos de Jardim deparam-se ao longo de sua experiência e é bastante comum ver o “Prazer” que um lago cristalino deveria propiciar transformar-se em total “decepção” para seus proprietários . O que ocorre nestes casos é a multiplicação desenfreada de determinado tipo de alga unicelular de coloração verde que fica em suspensão e confere ao lago o terrível aspecto de uma sopa de ervilhas .
Para a resolução desse problema devemos primeiramente conhecer um pouco mais sobre o equilíbrio biológico de nosso lago e só então tomarmos medidas que visem à solução do problema .
Existe uma combinação básica de elementos que favorecem o aparecimento excessivo de algas : Luz + Excesso de Nutrientes + Oxigênio = Algas
Com relação à presença de Oxigênio não há nada que possamos fazer, por razões óbvias . Portanto abordaremos os dois primeiros ítens acima apresentados (Luz e Excesso de Nutrientes) e algumas formas de controle eficaz dos mesmos visando o combate à causa do esverdeamento da água : Luz – Com relação à forte incidência de raios solares sobre a superfície da água, podemos contornar o problema instalando sombrites sobre o Lago o que em geral minimiza bastante o efeito das algas . Resta saber se o efeito estético do sombrite não comprometeria a beleza do lago como um todo.
Excesso de Nutrientes - Este problema pode ter uma ou mais causas, mas como regra geral, todo o excesso de matéria orgânica ou nutrientes químicos (em forma de NPK, por exemplo) que entram no lago em número superior à capacidade de filtragem e absorção do mesmo, acabam por gerar algas, sendo que as principais causas do excesso de nutrientes em lagos são :
Excesso de alimentos (as sobras não aproveitadas pelos peixes acabam gerando um aporte excessivo de matéria orgânica, que resultam em algas)
Alimentos de baixa qualidade - muitas pessoas utilizam-se de rações para peixes de corte (do tipo Pira) muito utilizadas em pesqueiros . Primeiramente este não é o alimento ideal para os peixes de seu lago de Jardim por possuir muita proteína e gordura que não são eficazmente digeridas pelos Peixes, provocando comprometimento da saúde dos mesmos . Além disso, esse tipo de ração esfarela-se rapidamente e turva a água, gerando nutrientes em excesso, que serão um banquete para as algas . Procure utilizar rações específicas para Peixes de Lago e se possível dê preferência às importadas que sujam bem menos a água . Eu sugiro as da marca Sera (alemã).
Superpopulação – este é outro fator agravante, pois o excesso de matéria orgânica oriundo dos dejetos dos peixes e a amônia produzida pela respiração branquial dos mesmos resultará em nitrato e fosfato – fonte de alimento para as algas .
Águas de Chuva trazidas por enxurrada – esta água em contato com a terra, ou na pior das hipóteses, em contato com fertilizantes químicos ou orgânicos utilizados em hortas, pomares e jardins circunvizinhos, carreará toda a sorte de nutrientes para o lago, provocando explosões de algas. Por esta razão é sempre necessária alguma espécie de parede ou elevação natural em torno do lago, que impeça a entrada deste tipo de detritos por ocasião de chuvas.
Excesso de nitratos – é sempre recomendada a renovação parcial de parte da água, principalmente durante estações secas, tendo em vista que o Nitrato (um dos principais alimentos das plantas e das algas) é cumulativo e constitui-se no produto final da filtragem biológica (vide Ciclo do Nitrogênio).
Inexistência ou deficiência de filtragem mecânica e biológica – filtros servem para retirar o excesso de matéria orgânica da água, sendo que a filtragem mecânica retira detritos sólidos (age como uma peneira) e a filtragem biológica (a mais importante no que diz respeito aos lagos) promove a reciclagem destes detritos através do Ciclo do Nitrogênio. Para dimensionar a filtragem ideal do seu lago, leia muito, pesquise, consulte sempre seu lojista de confiança ou um profissional da área a fim de evitar dissabores ou gastar dinheiro em processos inúteis . Como dica útil , no caso de lagos pequenos, recomendo a utilização de 10 litros de cerâmica porosa ou vidro sinterizado (no interior do filtro biológico) para cada 1.000 litros de água . Já as Bio balls apresentam eficiência significativa apenas em casos de filtros grandes com fluxo gotejado (efeito chuveirinho) e ainda assim sua eficiência é bem menor que as mídias em formato de cerâmica ou vidro sinterizado .
Má circulação de água – em lagos de jardim é comum o aparecimento de zonas mortas (locais onde não existe a circulação efetiva de água) e é justamente nestas zonas de água parada que existe o acúmulo de matéria orgânica (não tragada pela filtragem) . Estas zonas auxiliam o aparecimento de algas. Para que este problema não ocorra, devemos instalar bombas de circulação com saídas estratégicas que propiciem a correta movimentação da água por todo o lago. Para um melhor controle deste problema, recomendamos, sempre que possível, à construção de lagos circulares, onde o efeito de “vortex” (redemoinho) auxilia na eliminação destas zonas. No caso de lagos com formatos retangulares sugerimos profundidades diferentes. Na hipótese da existência de uma cascata recomendamos que a mesma encontre-se na parte mais rasa do lago, a fim de que o turbilhão provocado pela precipitação da água, conduza as partículas de sujeira em direção ao lado oposto, onde deveremos colocar as bombas de captação para fins de filtragem . Na hipótese da necessidade de bombas de auxiliares (para movimentação da água) eliminando os pontos mortos, o fluxo deverá apontar sempre para o ponto principal de captação .
Lagos rasos e com fundos de cor clara (ex: azulejo branco) – um erro bastante comum na construção de lagos, tendo em vista que neste caso a luz atravessa com bastante facilidade a água e encontrando uma superfície clara (no fundo) tendendo a refletir-se de volta (como um espelho), potencializando o efeito da mesma e causando um rápido aparecimento de algas . Neste caso, é também comum o aparecimento de algas verdes com aspecto gelatinoso, que ficam aderidas no fundo e nas paredes do lago . Sabendo disso, procure sempre construir lagos com cores mais escuras e com profundidades variáveis que alcancem de 50 a 80 cm . (mais que isto você terá dificuldades de manutenção e menos que isso ocorrerá o problema acima, no caso de incidência de luz solar direta) .
Inexistência de plantas – as plantas são excelentes coadjuvantes no combate e prevenção de algas, tendo em vista que necessitam basicamente dos mesmos nutrientes . No entanto é comum o fato de serem devoradas pelos Peixes comumente utilizados em Lagos (Peixes de água Fria), em geral Carpas e Kinguios . Para que isto não ocorra, utilize vasos altos dentro da água (que aflorem a superfície) contendo apenas areia (é possível a colocação de húmus também, coberto por uma grossa camada inerte de areia dentro dos vasos, mas isto já é outra história que poderemos abordar em uma outra oportunidade) . A colocação de areia como simples meio de fixação das plantas é uma boa estratégia, pois a planta acaba buscando os nutrientes que estão na água, competindo com as algas e realizando o que chamamos de Aquaponia . Plantas boas para este tipo de uso são os Papiros (Cyperus papyrus) – existe também o mini papiro , o Chapéu de Couro (Echinodorus grandiflorus), as Sagittarias (Sagittaria montevidensis), etc...Existem também as plantas do gênero Ninféias (da família das Nymphaeaceae) – consideradas por muitos como “a Rainha dos Lagos” . Estas devem ser plantadas no fundo do lago, dentro de um vaso contendo um pouco de húmus de minhoca misturado com areia em iguais proporções e uma camada de cerca de 10 cm. de areia grossa inerte por cima (a fim de que o húmus não se desprenda facilmente na água) . Esta planta lembra o formato de uma vitória régia em menores proporções e pode ser plantada através de muda ou em forma de batata ou bulbo no fundo do lago, a fim de que cresça em direção à superfície (60 a 80 cm. de profundidade) . Produz flores lindas .
Filtros de Plantas - Um excelente meio de combate às algas através das plantas é a construção de um “filtro de plantas” . Trata-se de um canal raso e estreito (máximo de 50 cm. de profundidade por 50 cm. de largura ) adjacente ao lago ou em torno do mesmo (imagine o fosso de um castelo) que perfaça 1/20 a 1/10 da capacidade do mesmo em volume . Este Canal deverá ser devidamente impermeabilizado e interligado ao lago, para que com o auxílio de uma bomba fraca (que propicie um fluxo de água bastante suave) possamos jogar a água de uma extremidade a outra, fazendo com que a mesma retorne ao lago . Dentro deste canal colocaremos algumas plantas aquáticas, tais como aguapés (Eichornia crassipes), Pistias ou Alface d’água (Pistia stratiotes), Salvinias (Salvinia auriculata), Jibóias (Scindapsus aureus), etc..Estas plantas ficarão soltas dentro deste canal (flutuando), com as raízes submersas e as folhas emersas . A idéia básica é que suas raízes absorvam nutrientes essenciais às algas, evitando sua proliferação, funcionando ainda como filtro mecãnico, tendo em vista a retenção de micro partículas sólidas em suas raízes .
Folhas e excesso de poeira que caem sobre a lâmina propiciarão excesso de nutrientes que serão absorvidos pelas algas . Em geral costumamos recorrer a um sistema de skimmer – na falta de outro nome (filtro de nata de partículas sólidas flutuantes) ou até mesmo a um cano central de transbordo que atuará como ladrão de água . Toda a sujeira flutuante transbordará para fora do lago e cairá num reservatório construído do lado externo na mesma altura da lâmina (princípio dos vasos comunicantes). Este reservatório pode ser uma espécie de caixa retangular com uma divisão no meio . De um lado ficarão as folhas que serão posteriormente retiradas manualmente por quem faz a manutenção do lago . Do outro lado desta caixa ficará uma bomba que devolverá a água sem detritos ao lago . Entre a bomba e as folhas, adaptaremos uma tela plástica (colméia ou algo parecido) que faça a separação das folhas e da água limpa dentro da caixa . Desta forma, resolvemos o problema das folhas que caem na água com bastante eficiência evitando o excesso de matéria orgânica .

Até aqui abordamos as “causas” do aparecimento das algas e as principais maneiras de preveni-las . A partir deste ponto, admitiremos a existência das algas e ao invés de combatermos às causas, combateremos os efeitos das mesmas . Para isto existem duas maneiras distintas : o uso de esterilizadores ultra violeta e os algicidas .
Esterilizadores Ultra Violeta – Muita gente o chama de “Filtro UV” – mas na verdade não se trata de um filtro, uma vez que não filtra nada . Ao contrário, atua através da radiação UV-C , matando células vivas pela destruição do seu DNA, provendo o controle não só das algas em suspensão, como também de várias doenças causadas por organismos patógenos presentes na água. . Trata-se de um recipiente cilíndrico (em forma de tubo) cujo núcleo possui uma lâmpada UV com uma quantidade de watts dimensionada ao tamanho do lago. Por dentro deste tubo circula a água que é enviada por uma bomba, devendo sempre passar por uma pré-filtragem, a fim de não enviar detritos sólidos que comprometam a eficiência da radiação uv. Dentro deste tubo de material plástico (não transparente), encontramos um outro tubo (feito de quartzo) que protege a lâmpada UV do contato direto com a água. Este tubo de quartzo possui algumas finalidades específicas no sistema UV, tais como : Fazer com que a lâmpada trabalhe em uma temperatura de cerca de 40ºC que é a ideal, pois do contrário o efeito germicida da radiação uv é reduzido. Evitar que no caso de uma possível interrupção do fluxo de água - a lâmpada (trabalhando a seco) esquente demasiadamente e acabe estourando assim que o fluxo retorne por choque de temperaturas . Limitar a distância que a radiação uv deve estar dos organismos a serem eliminados (entre 0,5 a 2,5 cm.) . Não existe outro material, além do quartzo, que consiga realizar esta função sem interferir na quantidade ideal de radiação UV-C necessária (em torno de 250 Angstrons *) , bem como manter a temperatura da água em torno de 40 ºC .
Citação: * Angstron – unidade de medida 10 milhões de vezes menor que um metro .
Portanto, adquira sempre esterilizadores UV que possuam luva de quartzo protegendo a lâmpada . O último ponto a ser observado com relação à esterilização UV é o tempo mínimo de exposição à radiação dos organismos a serem eliminados .
Citação:
De nada adianta colocar uma bomba fortíssima para circular a água dentro do esterilizador, sem o cálculo do tempo e velocidade de exposição dos organismos que queremos eliminar através da exposição aos raios UV . De acordo com a experiência prática, concluímos que este tempo pode ser mensurado em torno de 35 lh/w* (para aquários) E 100lh/w*(para lagos).......
Citação: (* litros hora por watt).
Portanto, existe uma continha básica a se fazer neste caso, bastando multiplicar os valores acima pelo nº de watts da lâmpada . Por exemplo, o fluxo ideal de água para uma lâmpada de 36 watts, deve estar entre 1260 a 3600 litros por hora . Isto não quer dizer que o filtro não irá funcionar se o fluxo for um pouco superior, mas esta é a medida ideal, a que chamamos de “fluxo optimo ou ideal” .
Citação: Mas o filtro UV não vai destruir as bactérias benéficas da filtragem ???
Muita gente acha que a radiação UV destrói as bactérias benéficas que fazem a filtragem biológica . Podem ficar tranqüilos que isto não ocorre, tendo em vista que tais bactérias formam colônias e não ficam, em sua maioria, totalmente soltas na água, ao contrário, permanecem fixas em locais que oferecem superfície de contato, tais como o cascalho e dentro dos filtros, justificando a existência das mídias filtrantes específicas para filtragem biológica, tais como bio balls, cerâmicas e anéis de vidro sinterizado ultra porosos . Como advertência, jamais tenha a curiosidade de abrir o filtro UV para ver se a lâmpada está funcionando corretamente . A simples exposição dos olhos a esse tipo de radiação pode causar cegueira irreversível . Algicidas – Resolvem rapidamente o problema das algas e se usados de maneira exagerada matam tudo mesmo (algas, plantas, peixes, biologia, etc...). O uso de algicidas deve ser encarado como tratamento de choque, tendo em vista que a maioria possui cobre em sua composição, de efeito cumulativo e nocivo às plantas e animais quando em altas concentrações . Portanto cuidado ! No caso de uso de algicidas, aumente sempre a capacidade de aeração/oxigenação e reforce a filtragem a fim de retirar rapidamente as algas mortas .

9 comentários:

Marcus Corradini disse...

Antes de mais nada, parabéns pelo blog. Muito bom mesmo.
Fiquei muito interessado no filtro de plantas e acho que uma matéria mais específica, com fotos e mais detalhes da montagem, viria a calhar.
Boa sorte e continuem o bom trabalho!

Ravick disse...

Oi, muito bom o blog.

Olha, eu não poderia evitar/remediar o problema meramente colocando peixes que se alimentem de fitoplâncton junto com as carpas?

Aquablog disse...

Agradeço os comentários e não creio ser possível resolver o problema das algas apenas com peixes filtradores e/ou algueiros, pois se por um lado eles consomem um pouco de algas, por outro também produzem matéria orgânica que favorece a proliferação das mesmas. Trata-se de um lago e como tal apresenta um grande aporte de materia orgânica, 02 e de luz que favorecem a proliferação das algas. Fora isso queremos manter uma qualidade de água de "lago ornamental" = muito mais cristalino e com características oligotróficas e não de lago para criação de peixes, ricamente provido de organismos plantônicos.

Abraço


Lescanjr
Aquablog

Luciano P. Alfredo disse...

ola,gostaria de dar os parabéns pelo blog,que tem me tirado uma grande quantidade de duvidas como agora sobre o sistema uv-c.
obrigado !

flor de liz disse...

Primeiro boa noite estas de parabens pelo comentario pois estava procurando como fazer um filtro de areia caseiro para meu lago e deparei-me com seu comentário inclusive pelas plantas muito bom flor de liz parabens

Anônimo disse...

Gostaria de saber qual o algicida para manutenção é mais recomendado. Comprei um da marca Laguna, mas ele é um coagulador e eu preciso de um que seja para manutenção. Algum que alimentasse bactérias que poderiam competir com as algas ou algo assim. Pode me ajudar?

Parabéns pelo Blog!!

falcão disse...

Tenho um lago, com plantas de fundo oxigenantes. O excesso de algas que aparecem, tornando a água verde, deve-se segundo análises realizadas a excesso de calcário e fósforo. Que posso fazer para resolver o problema?
Obrigado

Anônimo disse...

Marcos Parabens pelo blog, vc tem o esquema para a construção do filtro uv, eu tenho a lista de materiais postada no era de aquarius so nao consigo ver o esquema..
cezarcorsi@hotmail.com

MARCOS Silva disse...

Bom dia! Parabéns pela matéria. Realmente, muito técnica e ao mesmo tempo apresentada de forma simples, fácil de compreender. Bom, mas gostaria que me esclarecesse o seguinte: "tenho um lago de cerca de 70mx5m de comprimento e 1,5m de profundidade". Ele stá com algas verdes. Tem filtro p utilizar em lagos desse tamanho? Quais providências deverei tomar p eliminar as algas?
Aguardo resposta. Obrigado.